Neste sábado, 2 de agosto, vivenciamos juntos um momento potente de aprendizado e partilha no CRESCE. A vivência sobre o sistema de captação de água da chuva foi mais do que uma aula técnica — foi um encontro de saberes, afetos e possibilidades.
Com a presença do Nadu Soares e da equipe Becus, vimos de perto como soluções simples podem transformar a relação que temos com a água e com a construção. “Queremos que a água faça parte do sistema, evitando os extremos que são a falta e o excesso”, apontou Camila Alterthum, presidente do CRESCE.
O projeto que está sendo implantado no CRESCE prevê a captação da chuva a partir de calhas do telhado. A água entra numa caixa d’água, passa por uma série de três pequenos tanques com filtros naturais e irá alimentar um tanque de cerca de 6 mil litros que terá peixes e plantas.
Os filtros promovem a decantação e purificação da água a partir da ação de bactérias e espécies vegetais. Os peixes enriquecem a água com nutrientes e o excedente de seus dejetos, que fica nos filtros, pode ser usado também como adubo na horta. A água do sistema fica em circulação por meio de uma bomba elétrica simples, que garante o movimento e a oxigenação necessários.

“Sabemos que a natureza ensina, então todo o processo vai sendo observado e ajustado cuidadosamente”, conta Nadu Soares. Quais espécies de plantas se adaptam melhor, quantos peixes o sistema comporta, como será mantido o equilíbrio ao longo das estações do ano, tudo isso demanda um olhar atento e constante. Quando respeitamos seus ciclos, a natureza devolve em abundância.
Nadu mostrou também como é feita a estrutura dos tanques, com a técnica do bambu-cimento. Flávio Negrão, arquiteto da equipe Becus falou sobre as características impressionantes do bambu, que pode ser chamado de “aço verde” por sua resistência aliada à maleabilidade. Lascas de bambu fixadas com arame são cobertas com tela de viveiro e sombrite para depois receberem a massa de areia, cimento, água e impermeabilizante que formará as paredes e a base dos tanques.

O público presente acompanhou cada detalhe com interesse e atenção. Marilúcia Gomes Pereira tem um sítio onde já pretendia implantar um sistema de captação de águas de chuva. “Quero aproveitar cada gota!”, diz ela entusiasmada com a possibilidade de ter também peixes além das plantas. Já Rafael Maia, morador recém-chegado ao Vale do Sol, veio com a esposa Daniele, a filha Laura e o bebê Miguel para conhecer novas possibilidades de integrar a natureza na sua moradia. Ele já fez a estrutura para captar a água e agora deve implantar sistema semelhante ao do CRESCE. Seguiremos trocando experiências com ele e com quem mais quiser chegar para ver, aprender e ensinar!

Ficamos com o coração cheio de gratidão diante de cada pessoa que chegou com disposição para aprender e trocar experiências. A Iracilda Maciel, que tem uma nascente na sua propriedade em Rio Manso quer saber como usar bem e preservar essa preciosidade: “Fiquei encantada, já quero sair e começar a fazer!” A Gabriela Pinho, que produz hortaliças orgânicas em Santa Luzia, também pretende adotar diversas práticas para garantir o melhor aproveitamento da água na sua horta.
Seguimos acreditando que, com ações concretas e coletivas, podemos sim construir um território mais resiliente, bonito e sustentável.
Se você participou, nosso muito obrigado. Se não conseguiu vir, que esse seja só o começo — ainda tem muito chão (e muita água boa) pela frente.