História e Memória: terceira Roda Viva aproxima gerações e revela novas histórias de Macacos

Estudantes ouviram relatos de moradores, conheceram histórias do território e deram vida à maquete coletiva construída ao longo do projeto Roda Viva – Águas Claras.

Quem conta a história de um lugar? E o que os jovens conhecem sobre as pessoas e os acontecimentos que ajudaram a construir o território onde vivem?

Essas perguntas estiveram presentes na terceira roda do projetoRoda Viva – Águas Claras, realizada pelo Instituto CRESCE no dia 8 de outubro, na Escola Municipal Rubem Costa Lima, em São Sebastião das Águas Claras, mais conhecido como Macacos.

Com o tema“História e Memória”, o encontro reuniu estudantes das escolas Municipal Rubem Costa Lima e Estadual Maria Josefina Salles Wardi, professores, artistas e moradores para compartilhar experiências sobre o passado e o presente do Arraial.

As pessoas também fazem parte da paisagem

Nas rodas anteriores, os estudantes iniciaram a construção de uma maquete coletiva de Macacos, representando suas paisagens, relevo e construções. Desta vez, chegou o momento de incluir um elemento essencial: as pessoas.

Com a orientação do artistaCatin Nardi e da arte-educadora do CRESCETana Guimarães, os jovens confeccionaram pequenos personagens com clipes, fita crepe, papel e tintas. Cada um escolheu onde gostaria de se colocar na maquete, revelando diferentes relações com o território.

Houve quem escolhesse a igreja, por ser um lugar de encontro com os amigos, e quem preferisse uma cachoeira que ainda nem conhecia, mas tinha vontade de visitar. Assim, a maquete ganhou novos significados a partir das experiências e dos desejos dos próprios estudantes.

Histórias contadas por quem vive o território

A partir de uma linha do tempo de Macacos, os estudantes participaram de conversas em pequenos grupos com moradores convidados, conhecendo histórias e acontecimentos que marcaram a comunidade.

Entre os relatos,João Lacerda Santiago, morador e zelador da escola, contou sobre sua participação na conquista do fornecimento de energia elétrica para a região que hoje corresponde ao bairro Capela Velha. Ao final, destacou o envolvimento dos jovens:

“Eu achei que os meninos se interessaram, eles brilharam. […] Eles podem se orgulhar que fizeram uma coisa que conta a história de onde moram.”

As conversas também abordaram o rompimento da barragem em 2001 e as transformações do turismo em Macacos, trazendo diferentes perspectivas sobre seus impactos na vida da comunidade.

Um momento especial aconteceu quando um estudante descobriu, durante a conversa com uma moradora, que sua mãe e sua avó eram consideradas“macaqueiras legítimas”. Surpreso, reagiu:“Nó! Nem eu sabia!”

Uma descoberta que mostrou como conhecer a história do lugar também pode significar reconhecer a própria história.

 

Conhecer para preservar

ParaVânia Gregório, moradora de Macacos desde o nascimento e diretora da Escola Municipal Rubem Costa Lima, receber o projeto foi uma oportunidade de aproximar os estudantes da história da comunidade.

“A gente tem que ter noção do território em que está, para cuidar desse território e cuidar com carinho, para que o futuro seja promissor para o nosso território.”

Vânia também destacou a importância de compartilhar essas memórias com os jovens, que terão um papel fundamental no futuro do Arraial.

A terceira Roda Viva deu continuidade a um processo de aprendizagem que reúne arte, escuta e troca de experiências entre gerações. A maquete coletiva, construída ao longo dos encontros, reúne não apenas paisagens e construções, mas também memórias, relações e diferentes maneiras de perceber Macacos.

O Roda Viva – Águas Claras continua, com novos encontros e oportunidades para que os jovens conheçam, valorizem e participem do cuidado com o território onde vivem.

 

Fotos: Enzo Gomide

 

O projeto é realizado pelo Instituto CRESCE e viabilizado com recursos de medidas compensatórias ambientais por meio da Plataforma Semente (@novosemente), uma iniciativa do Ministério Público de Minas Gerais (@mpmg.oficial) em parceria com o CeMAIS (@cemais.org.br).

 

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