Com experiências sobre a água, música e construção coletiva da maquete, o encontro reuniu estudantes, professores, artistas e representantes da comunidade de Macacos.
Como a água percorre o território onde vivemos? O que sabemos sobre as paisagens que fazem parte do nosso cotidiano? Essas perguntas acompanharam a segunda roda doRoda Viva – Águas Claras, realizada no dia29 de setembro, com o tema“Água e Emoções”.
Promovido pelo Instituto CRESCE, o projeto propõe encontros com a comunidade escolar para reconhecer o território de São Sebastião das Águas Claras, em Macacos, a partir de suas memórias, experiências e questões socioambientais. Nesta etapa, a água foi o ponto de partida para ampliar esse olhar e dar continuidade à maquete coletiva iniciada na primeira roda.

Uma experiência para conhecer o caminho da água
Antes do trabalho artístico, Camila Carvalhal, presidente do CRESCE, conduziu uma vivência para mostrar como a água da chuva penetra e é armazenada nas montanhas do território. Utilizando seringas, os estudantes aplicaram água sobre pedras de minério da região (conhecida como canga ferruginosa) e observaram como ela penetrava lentamente no material e ali ficava armazenada, sendo filtrada lentamente.
A experiência abriu uma conversa sobre o armazenamento e a circulação da água nas rochas, a importância dos aquíferos do Quadrilátero Ferrífero e o cuidado com as nascentes. Também foram discutidas as relações entre as chuvas, a recarga das águas subterrâneas e as mudanças que afetam esse processo.
A curiosidade dos jovens mostrou como a atividade ajudou a aproximar o tema de sua realidade. Ao observar as pedras e conversar sobre o caminho da água, puderam conhecer aspectos do lugar onde vivem que, para muitos, ainda eram desconhecidos.

Música, arte e conhecimento da comunidade
O encontro contou com a participação deGilberto Todt, morador de Macacos há muitos anos e ex-professor da escola. Sua presença trouxe ao trabalho o conhecimento de quem acompanha o território e mantém vínculos com a comunidade escolar.
Gilberto apresentou uma música de sua autoria que fala dos povos indígenas, da colonização e os impactos da mineração, ampliando a conversa sobre a história da região e o cuidado com a água e o ambiente.
Durante a construção da maquete, ele também ajudou os estudantes a reconhecer elementos da paisagem: a vegetação, as cores dos morros e as características dos lugares representados.

Na etapa artística, o artista plásticoCatin Nardi, também morador de Macacos, orientou o trabalho na maquete, compartilhando técnicas de pintura e acompanhando as escolhas de cores, texturas e formas. Sua atuação ajudou os estudantes a transformar suas percepções do território em uma representação coletiva, em diálogo com o conhecimento local trazido por Gilberto.
Para Catin, essa experiência também pode despertar uma atenção maior ao lugar onde se vive:
“Acho que é um estopim, uma forma de a gente começar a provocar um pensamento crítico, uma tomada de consciência do lugar onde você está e do que você tem aqui, tão valioso, tão rico, que deve ser cuidado, deve ser protegido.”

Professores e estudantes construindo juntos
A segunda roda teve uma participação expressiva dos educadores. Professores e um acompanhante terapêutico se envolveram nas atividades, acompanhando os jovens e contribuindo para a pintura da maquete.
Vestiram os aventais, trabalharam junto com os estudantes e permaneceram envolvidos ao longo do encontro. Essa presença fortaleceu a proposta do Roda Viva como um projeto de toda a comunidade escolar.
A professora de FísicaVitória destacou a oportunidade de aproximar o cotidiano dos estudantes do trabalho pedagógico:
“Fiquei bem sensibilizada com a ideia do projeto. Eu senti a experiência dos alunos poderem vivenciar mais o cotidiano deles, trazendo isso para a parte pedagógica.”
Ao circular pelos grupos, Vitória também pôde conhecer a região a partir das explicações dos próprios jovens:
“Não sou aqui da região, mas gostei muito, porque eu fui perguntando para eles, e eles foram apresentando para mim os locais, onde fica cada coisa.”
Para a professora, a atividade permitiu que os estudantes observassem a região por outro ângulo, reconhecendo a beleza local e atribuindo valor a lugares que fazem parte de sua rotina.
A maquete segue tomando forma com a participação de muitas mãos. A cada roda, estudantes e educadores acrescentam conhecimentos, lembranças e percepções sobre Macacos, construindo uma representação do território que carrega também as experiências de quem vive nele.
Fotos: Bernardo Manata
O projeto Roda Viva – Águas Claras é realizado pelo Instituto CRESCE e viabilizado com recursos de medidas compensatórias ambientais por meio da Plataforma Semente (@novosemente), uma iniciativa do Ministério Público de Minas Gerais (@mpmg.oficial) em parceria com o CeMAIS (@cemais.org.br).
