O quintal do CRESCE se transformou em território de palavra, encontro e criação coletiva. A oficina de escrita poética com a poeta Nívea Sabino reuniu cerca de 10 participantes, com idades entre 12 e 80 anos — um público diverso em histórias, origens e experiências.
Logo ao chegar, Nívea se encantou com o quintal: os cheiros, as árvores carregadas, as frutas, o sabor da água do filtro de barro. O acolhimento da equipe e das pessoas que iam chegando fez com que ela se sentisse em casa. E foi nesse clima de proximidade que compartilhou sua trajetória como poeta e escritora, falando sobre a liberdade de usar as palavras para expressar aquilo que atravessa sua vida, sua história e seu entorno.
O convite lançado ao grupo foi potente: criar frases que pudessem se transformar em bandeiras para o Carnaval, inspiradas na Cordilheira do Espinhaço, seus afetos e seus desafios. Uma proposta poética, divertida, engajada e afetiva. Um chamado para criar sem julgamento, soltar a criatividade, compartilhar os escritos — e “passar vergonha junto”, como dizia Nívea, lembrando que poesia também exige ousadia.

Como impulso criativo, a poeta trouxe dezenas de papeizinhos com expressões típicas do baianês e do minerês, além de palavras ligadas ao engajamento com o território, como mudanças climáticas, mineração e impacto ambiental. A partir desses fragmentos, cada participante criava seu verso ou frase. Depois, os escritos eram trocados: um completava o do outro, sugeria, transformava. A poesia ganhava corpo coletivo.
Após muita troca e um lanche preparado pelo CRESCE com ingredientes do próprio quintal, o grupo voltou à roda para compartilhar suas produções. No segundo momento da oficina, a educadora Tana Guimarães convidou todos a estamparem suas frases e imagens utilizando carimbos, canetas, tintas e giz de cera. As criações foram penduradas em um varal no quintal, formando uma pequena exposição a céu aberto.
As frases poderão ser conferidas no próximo sábado, durante a festa de Carnaval, na barraca do CRESCE.
A oficina foi encerrada com depoimentos emocionados e uma roda cantada de versos conduzida por Camila, momento de agradecimento e celebração das criações. Ao final, ficou a promessa de Nívea: voltar nos próximos festivais.
Seguimos acreditando que poesia também é forma de cuidado com o território — palavra que conecta, que provoca, que semeia.